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HQ: Nimona

Nimona é o nome da personagem principal, uma mocinha capaz de mudar de forma que tem por ídolo um vilão famoso. Já iniciamos a história com o primeiro encontro entre eles, algo que me pareceu uma entrevista de emprego: Nimona deseja se tornar a fiel escudeira de Coração-Negro, um vilão não tão mau assim (afinal ele tem um código de ética a ser seguido), e ele precisa ser convencido disso.

A autora nos transporta para uma realidade no mínimo curiosa: um reino medieval com tecnologias de ponta, feiras de ciência, magia, uma instituição de herois, herois não tão heroicos, vilões não tão vilanescos, e girl power.

Nimona mostra que uma menina pode e dever ser o que ela quiser, na hora em que ela quiser, como ela quiser. Convenções sociais não fazem o menor sentido para ela, bem como as regras impostas pela sociedade. O que ela quer é ver o circo pegar fogo, e jogar um pouquinho de gasolina para ver a explosão.

Este é um quadrinho divertidíssimo, que tem bem mais do que aparenta. As alfinetadas são sutis, e o fato de a vermos através da perspectiva dos anti-herois só facilita as críticas ao governo, à mídia… Tem-se também uma leve menção à relacionamentos homossexuais, abordada de forma tão natural que você leva um tempinho pra perceber que é disso que está sendo falado, mas o foco principal do livro é sobre amizade.

Nimona foi pra mim uma leitura imensamente rápida, parece que peguei o livro para ler a sinopse e as orelhas, e quando vi, já tinha acabado. Adorei o traço dos desenhos, mas simplesmente amei as cores usadas e a evolução delas conforme a história avança.

A autora, Noelle Stevenson, é uma moça a se deixar no radar e conferir sempre suas novas obras.

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Harry Potter e a Criança Amaldiçoada

Logo quando soube do lançamento de uma nova história de Harry Potter, minhas expectativas foram lá em cima. Imagina só, alguém que cresceu junto com Harry ter a oportunidade de se aventurar pelo universo mágico mais uma vez pela primeira vez?

Mas, porém, entretanto, todavia, contudo… O livro seria o roteiro da peça de teatro. Balde de água fria. Não seria a mesma coisa revisitar esse universo sem a narrativa de J. K. Rowling. Mas a curiosidade matou o gato, não é mesmo?

No meio de uma maratona literária nesta última semana de 2016, decidi ler a peça. Eliminei as expectativas, e não fui com muita sede ao pote. E me apaixonei pelo que encontrei.

Como disse muita gente por aí, o livro tem cara de fanfic. E concordo com isso, principalmente pela estrutura do livro, não pela história em si. Ler o roteiro não é a mesma coisa que ler o romance original. Mas é tão divertido quanto.

Com meus 12, 13 anos, na espera pelo lançamento dos próximos livros de Harry Potter, o que eu mais amava fazer durante as tardes livres era procurar fanfics e me divertir novamente no universo Potterístico. Então, encontrar A Criança Amaldiçoada me fez sentir ter 12 anos novamente, desbravando curiosamente esse mundo mágico de Rowling.

Uma nostalgia total preenche as páginas conforme encontramos Harry, Hermione, Rony, Gina, Malfoy e até mesmo a Professora McGonagall cerca de 20 anos após o fim das Relíquias da Morte. Ao mesmo tempo, uma curiosidade indescritível nos acompanha durante as aventuras de Alvo e Escórpio.

Sabe aquele quentinho no coração após terminar uma leitura? Foi exatamente isso que Harry Potter e a Criança Amaldiçoada me proporcionou. Já estou com saudades de novo.

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A Segunda Pátria

Graças a nossas aulas de história sabemos que o durante a Segunda Guerra o Brasil manteve uma política de neutralidade. Então, quem gosta de livros que abordam a temática da Segunda Guerra pode se sentir muito curioso por sua premissa: o Brasil de Vargas aliado a à Alemanha de Hitler, onde a política do nacional socialismo está sendo difundida e implementada no sul do país.

Um negro engenheiro, homem estudado e culto, conhecedor de literatura e arte, totalmente apaixonado pela cultura alemã. Uma alemã, mulher independente e a frente de seu tempo, bonita, e, até certo ponto, nazista.


Ler como as ideias nazistas foram criando raízes num território tão conhecido foi extremamente assustador. Ao mesmo tempo que parece um pesadelo distante, parece também algo próximo, que pode acontecer a qualquer momento, e é isso o que causa mais impacto: refletir sobre o quão pouco o ser humano evoluiu em 70 anos, já que ainda vemos tanto ódio sendo destilado por aí.

O livro é dividido em quatro partes, e é através de uma narrativa não linear que o autor nos mostra Adolpho e Hertha, e veremos como suas histórias se entrelaçam e como suas vidas são afetadas pelo novo regime político adotado na região onde moram.

“Só quem se dedicou apaixonadamente a um livro sabe que ele lhe pertencerá para sempre, mesmo que não possa recordá-lo.” Pág 33.

Entretanto, o livro é muito mais do que um romance de histórias que se cruzam na hora e no lugar errados. É também um descritivo de quão baixo o ser humano consegue chegar, tanto para oprimir quanto para ser oprimido.

A Segunda Pátria é literatura contemporânea nacional de primeira qualidade, e com certeza uma das melhores leituras feitas em 2016.