0

Fúria Vermelha

Minha última leitura de Janeiro de 2017 foi o primeiro volume da trilogia Red Rising.

O título é Fúria Vermelha, e com o andamento da leitura vamos entendendo a intenção do autor com isso. Foram necessárias poucas páginas para que eu mergulhasse no universo criado por Pierce Brown.

Estamos em Marte, o Planeta Vermelho, e o ser humano aparentemente já descobriu como viajar no espaço e colonizar outros planetas. Temos também uma sociedade totalmente dividida em castas, que aqui são nomeadas por cores. Os Vermelhos, como é de se imaginar, estão na base dessa pirâmide, sendo o nível mais baixo da sociedade. Cada cor tem sua função específica, os Ouros são os governantes, enquanto os Violetas são os artistas, e os Vermelhos são os mineradores, e por aí vai.

“Nos lugares densos de homens, a humanidade se desintegra com mais facilidade.” Pág 101

Como é de se imaginar, os Vermelhos são submetidos a um tipo de trabalho praticamente escravo através de um bonito discurso dos Ouros sobre a importância dessas formigas operárias para toda a sociedade: é através da mineração de hélio que será possível tornar a superfície de Marte habitável a toda a raça humana. Entretanto, não é bem assim que as coisas funcionam, e foi necessário o plantio de uma sementinha de revolução por alguém muito querido de Darrow.

O que acontece a seguir me pegou totalmente de surpresa, eu jamais esperaria que iria acontecer algo do tipo, e os eventos só serviram para aumentar ainda mais minha curiosidade e me fazer ler como se não houvesse amanhã.

“E estou começando a entender por que os Ouros governam. Eles conseguem fazer o que eu não consigo.” Pág 183

Embarquei nessa aventura perigosíssima com Darrow, e página após página me surpreendi com a capacidade do autor de criar um universo tão complexo e explicá-lo de forma tão simples, respondendo à todas as minhas perguntas sem subestimar minha capacidade como leitora e convidada nesse universo.

Essa jornada por Marte, essa guerra por vingança e por poder… É tudo descrito de uma maneira muito crua, o que dá ao livro um teor mais adulto, assim como as muitas cenas de violência explícita e aos muitos palavrões usados por Darrow e pelos seus conterrâneos Vermelhos.

Fúria Vermelha é diferente de tudo o que já li, e foi um livro que fez eu me apaixonar por todos os detalhes de seu universo.

PS: Gostei tanto que rodei a internet até achar uma playlist montada pelo autor com as músicas usadas no processo de escrita dessa maravilha, fica aqui o link para quem tiver curiosidade.

0

A Fúria e a Aurora

Amor, ódio, magia, aventura, mistério e vingança, com um toque de cultura árabe.

Um reino governado por um homem cruel. Cada noite ele se casa com uma moça diferente, e ao raiar do dia a mata sem misericórdia.

Já ouviu falar dessa história? É que a premissa básica de A Fúria e a Aurora é ser uma releitura do clássico As Mil e Uma Noites.

Aqui temos um rei bastante jovem, e uma moça movida pelo ódio: ela se voluntaria para ser a próxima esposa na intenção de vingar-se pela morte de sua melhor amiga. Entretanto, sua estadia no palácio não se desenrola como ela planejava.

É junto com Sherazade que conhecemos um outro lado de Khalid, o rei cruel, e vemos que há muito mais por trás desses assassinatos. E que também há muito por trás da fachada fria e impiedosa que ele sustenta.

Comecei essa leitura devagar, motivada apenas pela curiosidade de saber como seria feito um reconto das Mil e Uma Noites, e me surpreendi imensamente. Encontrei neste livro personagens encantadores, que me conquistaram desde a primeira página, e um enredo delicioso: ao mesmo tempo que eu queria ler como se não houvesse amanhã, queria economizar ao máximo a novidade.

Sabe quando o livro veio no no lugar e na hora certa? Foi exatamente isso o que aconteceu. Fui envolvida pelo universo e pelos personagens de uma maneira que me faltam palavras para descrever meus sentimentos.

“- O que você está fazendo comigo, sua praga? – ele sussurrou.

– Se sou uma praga, então você devia se manter a distância, a não ser que planeje ser destruído. – Com a arma ainda nas mãos, ela o empurrou.

– Não. – As mãos agora na sua cintura. – Me destrua.”

Com detalhes minuciosos da decoração, comidas e vestuário a autora me transportou diretamente para a Arábia como num passe de mágica, e foi impossível não me deixar levar pelos personagens e pela trama fascinante.

0

A Amante do Rei

“Escrevi este livro para satisfazer minha curiosidade sobre Alice Perrers e para dar-lhe uma voz, permitir que falasse através de mim, uma psique feminina.”

É com isso que se inicia a nota da autora ao fim deste romance, que nada mais é do que uma tentativa de imaginar a realidade dessa mulher tão desprezada pela história.

Como a própria autora diz, nenhuma pessoa comum poderia escolher ser amante do rei, e isso é constantemente repetido na fala de Alice durante o livro: “Quando tive eu a escolha de ser diferente do que fui?“.

Primeiro, ao obedecer ao pai e concordar com um casamento arranjado. Depois, obedecer ao marido e ser inserida num perigo inimaginável. A seguir, obedecer à rainha e integrar seu séquito na corte inglesa. Também obedecer ao rei e tornar-se sua amante. Por fim, obedecer ao conselho e ao parlamento e casar-se novamente com um homem que desejava apenas a sua riqueza.

“Na condição de ser do sexo feminino, eu era aceitável apenas como filha virginal, esposa ou viúva – a menos, é claro, que eu fizesse os votos a Deus. Fui as três coisas – filha, esposa e viúva -, além de amante.”

É apenas com a morte deste homem detestável que Alice enfim encontra sua tão sonhada liberdade, para estar com suas filhas e com um homem escolhido pelo seu coração.

Posso dizer que romances históricos são o meu tipo preferido de leitura. Adoro me perder nas páginas e voltar no tempo para conhecer uma realidade tão distante de mim. Adoro mais ainda descobrir que a ficção que acabei de ler é baseada em pessoas e acontecimentos reais.

Entretanto, apesar de adorar a ideia de dar voz à uma figura histórica, achei o livro um tanto quanto cansativo. Alice suga tanto da gente com suas dúvidas e aflições que precisei muitas vezes parar a leitura para espairecer.

O romance de Alice é uma história de uma mulher que lutou com unhas e dentes pela sua própria felicidade, e isso por si só já vale a leitura.