Sessão Pipoca: O Labirinto do Fauno

Sabe aquele ditado popular “Devo, não nego, pago quando puder”? A partir deste momento ele está sendo aplicado por aqui. Sumi mesmo, por uma série de motivos (o principal é eu ter começado a trabalhar novamente), mas não parei de ler. Tenho muitas leituras feitas desde o último post, algumas com alguns rascunhos iniciados, outras não tive vontade de escrever, e poucas outras não me senti capaz de escrever um post sobre o livro. Não sei se irei postar todas essas leituras atrasadas por aqui, mas prometo voltar sempre que surgir aquela sensação de “preciso conversar com alguém sobre esse livro”.

No caso de hoje, essa sensação veio, mas sobre um filme que assisti já tem um tempinho. Não é exatamente uma novidade, mas é um filme que vale a pena ser visto! Confiram abaixo minhas impressões sobre O Labirinto do Fauno.

É em uma viagem que conhecemos Ofélia e sua mãe, que estão de mudança para a residência do Capitão Vidal, agora padrasto da menina. Em meio a Guerra Civil Espanhola, o capitão utiliza de sua posição para rebaixar as mulheres e os pobres, além de usufruir de extrema violência para atingir seus objetivos. Fica claro desde o princípio que ele não aceita a presença da enteada. Enquanto isso, Ofélia descobre um mundo de fantasia na floresta próxima a sua nova morada: um labirinto de pedra, onde encontra um fauno (criatura da mitologia romana metade humana e metade bode, presente nas Crônicas de Nárnia de C. S. Lewis, mas que aqui é apenas um ser bastante estranho) que lhe revela sua verdadeira origem, mas que lhe propõe três tarefas para que a menina prove quem realmente é.

Nesse mundo fantasioso, conhecemos criaturas estranhas, horrendas, mas que ao mesmo tempo nos mostram quem realmente é o vilão. Nada é sutil, Guillermo del Toro mostra explicitamente os horrores da Guerra Civil Espanhola, o caráter do Capitão, e a pureza da menina Ofelia.

Mesmo com criaturas grotescas e perigosas, esse mundo de fantasia consegue ser mais seguro do que o mundo real, mas ainda assim não fica clara essa diferença entre os dois. Não dá pra saber onde termina um e começa o outro. Achei isso uma aposta muito certeira do diretor e roteirista, de deixar o espectador escolher no que acreditar: era tudo real ou era a imaginação da menina a ajudando a escapar da realidade cruel em que vivia?

Vale, e muito, ressaltar a atuação da menina, e também de Maribel Verdú, assim como de Sergi López. Este último, que interpreta o vilão, está absolutamente sensacional. López consegue envolver o espectador de tal maneira que torci muito para  que o Capitão Vidal tivesse um final tão detestável quanto ele próprio. E o mais triste para mim foi começar a pensar e ver que homens sem escrúpulos como ele existem na vida real.

Vencedor de três Oscars (Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Fotografia) e nomeado à categoria de Melhor Filme (um feito inédito para um filme de fantasia de língua não inglesa), O Labirinto do Fauno é sim um conto de fadas para adultos que veio para provar que uma historia de fantasia e protagonizada por uma criança não necessariamente formam um filme infantil.

Com um final de arrancar algumas lágrimas no canto do olho, O Labirinto do Fauno é um filme que deve ser assistido por todos. Mas espere as crianças crescerem um pouco antes de colocá-las na frente de tantos horrores. E não falo apenas dos da fantasia.

Alguém aí já assistiu ao filme? Pretende assistir? Vamos conversar nos comentários! 🙂

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4 comentários sobre “Sessão Pipoca: O Labirinto do Fauno

  1. “O Labirinto do Fauno é sim um conto de fadas para adultos que veio para provar que uma historia de fantasia e protagonizada por uma criança não necessariamente formam um filme infantil.” Disse tudo!! A complexidade narrativa e o conteúdo trágico marcam o caráter adulto da obra. Assisti duas vezes para entender melhor a história e as intenções do diretor. Acho que vou rever. 😉

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