As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

Saí um pouco da minha zona de conforto ao ler esse livro, e confesso que não me arrependi. É pesado, mas tão peculiar que chega a ser belo. Não pela história em si, mas pelo modo como é contada.

"(...) E foi então que Cecilia forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, porque ela sobreviveria: 'É óbvio, doutor', ela disse, 'você nunca foi uma menina de treze anos.' (...)"

“(…) E foi então que Cecilia forneceu oralmente aquilo que seria sua única forma de bilhete de suicídio, e ainda por cima um bilhete inútil, porque ela sobreviveria: ‘É óbvio, doutor’, ela disse, ‘você nunca foi uma menina de treze anos.’ (…)”

Como o próprio nome diz, o tema central do livro é suicídio. Mas, como se não bastasse esse clima bastante pesado, não é apenas um suicídio que acontece: são cinco. Cinco irmãs adolescentes, com idade entre 13 e 17 anos, que tiram suas vidas em algum subúrbio dos Estados Unidos, na década de 1970. A história é narrada através de uma voz coletiva dos garotos da vizinhança da casa onde a família Lisbon morava, até tais acontecimentos. Inconformados com a atitude das meninas, esses garotos tentam reconstruir seus passos, de modo a descobrir o motivo dos suicídios.

Apesar das poucas páginas, esse não foi um livro que li de uma só vez, apesar de preferir leituras nesse estilo. A narrativa prende muito a atenção, mas a descarga sentimental que o livro traz é tão grande que chega a ser angustiante. Para mim, foi necessário interromper a leitura e absorver todo o conteúdo antes de continuar a desvendar o mistério das irmãs Lisbon.

Além da descarga emocional, o livro também trabalha muito com os cinco sentidos. São barulhos, cheiros, e texturas descritos tão absurdamente bem que é possível ouvir, sentir e viver cada experiência descrita pelos garotos. Várias vezes são mencionados cheiros – de chiclete de melancia, ou de pipoca envelhecida – e texturas – a poeira se acumulando nas janelas, os insetos que grudam em todos os lugares – que é impossível não se deixar levar pela experiência sensorial do livro.

A narrativa é feita na primeira pessoa do plural, e tem um estilo único. As meninas tornam-se objetos de desejo e fascínio para os narradores, que possuem uma certa paixão platônica por elas (não por cada uma, pelo conjunto das cinco irmãs). O relato feito também não pode ser considerado muito confiável, pois trata-se de uma “investigação” feita por eles, praticamente todo baseado em suposições. Assim, o final é brilhante. A conclusão é deixada na mão do leitor, e cabe a ele interpretar a história e chegar em sua própria decisão. Ou seja, além das diferentes experiências de leitura, ao final da leitura, teremos diferentes conclusões, e isso é o máximo!

Fonte: Filmow

Fonte: Filmow

Como está escrito na capa, o livro inspirou o filme de Sofia Coppola, de 1999, que é tão bom quanto. Assisti logo após terminar a leitura, quando tudo ainda estava bastante fresco em minha mente, e que bela adaptação. Assim como o livro, é de uma sutileza sem tamanho, mas ao mesmo tempo é um tapa na cara da sociedade.

Acredito que essa foi uma escolha excelente para sair da minha zona de conforto. Não costumo ler livros tão sérios assim, mas ter me deparado com uma história tão bem escrita como essa foi surpreendente.

Esse livro foi uma fervorosa indicação do blog La Vie en Rose, então quero deixar aqui meu obrigada por ter me apresentado a essa belíssima história.

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3 comentários sobre “As Virgens Suicidas – Jeffrey Eugenides

  1. Pingback: Leituras e favoritos de Abril/2014 | da Carneiro

  2. Dani!

    Que bom que gostou da leitura! Esse livro é tão bonito, né? É pesado e leve ao mesmo tempo, é muito complicado tentar explicar o que senti depois de terminar a leitura. Jeffrey Eugenides fez um trabalho belíssimo. E Sofia Coppola também, com a adaptação. Sei que terei que reler daqui a alguns anos, porque jamais compreenderei essa história por completo e acho que esse é o fator mais fascinante da história 🙂

    Fico muito feliz mesmo por saber que você gostou tanto quanto eu desse livro!

    Beijos

    • Michas, muito obrigada mesmo pela indicação desse livro!

      Gostei tanto que pra tentar convencer minha mãe a ler, além de mostrar o meu texto pra ela, mostrei o seu e o seu video também! Ela me disse “Depois disso eu tenho que ler!” hehehe
      Faz umas duas semanas que li, mas a história ainda não saiu da minha cabeça, e nem sei se vai sair tão cedo. Fazia tempo que queria ler um livro mais sério, e essa sua indicação veio no momento certo.

      Beijos!

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