Contos de Fadas – Perrault, Grimm, Andersen e outros

Era uma vez…

Esse foi mais um livro resultante de presentes de aniversário, e contém 20 contos de diversos autores. Nessa coletânea são encontradas as histórias mais famosas adaptadas pela Disney, como A Branca de Neve, A Bela e a Fera, A Pequena Sereia e A Bela Adormecida, além de outros contos menos conhecidos.

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Ao contrário do que eu imaginava, as versões originais dessas histórias que tanto gosto são bem fáceis de ler, apesar de serem bastante antigas. Talvez por serem destinadas a crianças, são histórias curtas (lógico, Dani, são contos!) e de linguagem bastante acessível.

Quero mencionar aqui três contos que me chamaram bastante a atenção: Chapeuzinho Vermelho, A Bela e a Fera, e A Pequena Sereia.

Há duas versões de Chapeuzinho Vermelho, uma de Charles Perrault e a outra dos Irmãos Grimm. E as duas possuem detalhes que tornam suas interpretações bastante diferentes. A versão dos Grimm é a mais tradicional, mais parecida com a história que ouvia quando criança. Já a de Perrault me deixou completamente chocada. Depois da leitura, me atrevi a pesquisar algumas análises desse conto, que aumentaram ainda mais o estado de choque em que eu me encontrava. Caso alguém se interesse, os links para os textos que li estarão listados no final desse post. Um detalhe que eu desconhecia antes da leitura, é a presença de pequenos poemas ao final dos contos de Perrault, deixando de forma explícita a moral da história.

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“(…) Falo “do” lobo, pois nem todos eles São de fato equiparáveis. Alguns são até muito amáveis, Serenos, sem fel nem irritação. Esses doces lobos, com toda educação, Acompanham as jovens senhoritas Pelos becos afora e além do portão. Mas ai! Esses lobos gentis e pretimosos, São, entre todos, os mais perigosos.”

Já ao falar de A Bela e a Fera e A Pequena Sereia, é impossível não fazer uma comparação com a animação da Disney. Surpreendeu-me bastante o fato de a animação de A Bela e a Fera ser tão parecida com o conto. Claro, há detalhes diferentes (como o fato de não haver a mobília falante), mas a real essência da história está presente: toda a doçura da Bela, além da linda moral que o conto traz.

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“(…) ‘Tenho um bom coração, mas sou um monstro.’ ‘Muitos homens são mais monstruosos’, disse Bela, ‘e gosto mais do senhor com essa aparência do que daqueles que, por trás de uma aparência de homens, escondem um coração falso, corrompido, ingrato.'(…)”

Entretanto, infelizmente não posso dizer o mesmo de A Pequena Sereia. A animação da Disney alterou toda a estrutura da história original, ainda que seja mais “apropriada” para crianças. A versão de Andersen é bastante macabra, eu diria. Os pontos principais são os mesmos – A Pequena Sereia (que não tem o nome de Ariel) se apaixona pelo príncipe, e pede ajuda à Bruxa do Mar para transformar-se em humana e poder viver ao lado de seu amor – porém o desfecho é absurdamente diferente, e por isso, causa estranheza. Bom, dizer que causa estranheza é um enorme de um eufemismo. A animação maquiou tanto a história para torná-la mais adequada ao público infantil, que a leitura do conto original é de quebrar o coração em milhares de pedacinhos.

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“(…) ‘Sei exatamente o que você procura’, disse a bruxa do mar. ‘Que idiota você é! Mas sua vontade vai ser atendida, e vai lhe trazer desventura, minha linda princesa. Você quer se livrar da sua cauda de peixe e ter no lugar dela um par de tocos para andar como um ser humano, de modo que o jovem príncipe se apaixone por você e lhe dê uma alma imortal.’ (…)”

Apesar de ter me decepcionado profundamente com o conto da Pequena Sereia, o livro como um todo foi uma leitura bastante interessante. Gostei de conhecer as versões originais das histórias que tanto gostava quando criança, e claro, das outras histórias que não conhecia (ou que somente tinha ouvido falar).

Essa edição é um primor. Feita com tanto capricho, conta também com uma apresentação escrita por Ana Maria Machado, que conseguiu me transportar no tempo, de volta à época que sentava todos os dias com minha avó e ouvia as histórias que ela tinha para me contar.

Recomendo muitíssimo que todos um dia leiam essas histórias famosas. Muitas delas poderão acabar com sua infância toda num piscar de olhos, mas ainda assim é interessante a leitura, e contextualizar a moral que elas querem passar.

Ah, e o “viveram felizes para sempre”… Só se for na versão Disney.

Quase ia me esquecendo… Aqui abaixo alguns links de análises que li sobre os três contos aqui mencionados:

  • Chapeuzinho Vermelho
  • A Bela e a Fera – na realidade é um artigo, que pode ser encontrado através das seguintes referências: BERNARDINI, Gleice; REMOLI, Taís Crema. A Bela e “A Fera”.
  • A Pequena Sereia
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11 comentários sobre “Contos de Fadas – Perrault, Grimm, Andersen e outros

  1. Aiiwn daniii comprei esse livro e mandei entregra na Saraiva rs
    Vai fazer quase uma semana que está lá e eu no desespero pra buscar hahaha
    Mas ameiii o post ♥

    • Oi Bruna!

      Esse livro é muito “oooooin”!
      Tá esperando o que pra buscar? Corre lá! Rsrs
      Espero que goste da leitura!

      Bjs

  2. Dani, morro de amores por esse livro, mesmo não o tendo lido ainda. Pretendo, mais pra frente, adquiri-lo. Adoro conhecer as verdadeiras histórias por trás das minhas animações preferidas. O que mais gosto nessa experiência é quando rola um momento de “oooi?” quando percebemos que o filme modificou bastante a história original.

    A primeira vez que li a história original de A Pequena Sereia fiquei tão triste. E em choque porque a animação da Disney é uma das minhas preferidas, amo a Ariel, sabe? Por isso, às vezes, finjo que não conheço a história do Andersen ahahaha. Gosto do “felizes para sempre”, poxa :/

    Adorei o post!

    Beijos

    • Oi Michas! Que bom te ver por aqui! 😀

      Mesmo as histórias sendo de partir o coração, acho que vale a leitura… A gente sempre pode ignorar a versão original e focar na versão Disney, né? Rs
      Apesar de a Ariel não ser minha princesa favorita (sou fã da Bela Adormecida – e tenho que dizer que encontrei coisas bem macabras sobre esse conto também!), entendo sua “dor”… hahaha
      Essas edições de bolso da Zahar são uma fofura! Dá vontade de dormir abraçada com o livro!
      Espero que quando lê-lo tenha as mesmas boas sensações que tive, e que aproveite muito a leitura!

      Beijos, e obrigada pela visita!

  3. Pingback: Leituras e favoritos de Abril/2014 | da Carneiro

    • Essa edição é realmente linda! Pequenininha, mas feita com tanto capricho que dá pra notar! E o preço, então? Não dá pra não falar dele rsrs
      Já viu a edição maior? Consegue ser ainda mais bonita! ❤

  4. Boa tarde!
    Parabéns pelo trabalho.
    Sou Taís, autora do artigo que você usou como referência, fico muito feliz que ele tenha lhe ajudado.
    Abraços

    • Oi Taís!
      Obrigada! E parabéns pelo artigo tão bem elaborado! Me ajudou muito a entender e explorar outros aspectos do conto 🙂
      Obrigada pela visita!
      Bjs!

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