A Menina que Roubava Livros – Markus Zusak

Decidi reler esse livro logo depois do boom do lançamento de sua adaptação cinematográfica (e antes de assistir ao filme, claro), e havia me esquecido de como A Menina que Roubava Livros é uma história cativante.

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Contada pela Morte, a história ambienta-se na Alemanha nazista, iniciando-se no período pré Segunda Guerra. Liesel Meminger é a ladra que dá nome ao livro. Ela e seu irmão mais novo são enviados à uma família adotiva, devido ao fato de a mãe ser simpatizante do regime comunista e, portanto, perseguida pelos nazistas. No entanto, durante a viagem seu irmão acaba falecendo, e sendo enterrado numa parada na estrada. É no enterro que Liesel rouba seu primeiro livro: o Manual do Coveiro. Ao chegar em sua nova casa, ela se vê desamparada, mas seu novo pai, Hans, é extremamente carinhoso e consegue criar uma conexão com a menina, ao contrário da mãe, Rosa, que é muito severa e autoritária. Lá ela também conhece Rudy, o vizinho que demonstra querer ser mais do que seu amigo, mas por hora está contente com o relacionamento amistoso. É em sua nova casa que Liesel aprende a ler, com a ajuda de Hans, e se interessa cada vez mais pelos livros, chegando a resgatar um da fogueira quando ela pensa que ninguém está mais olhando. Não se pode deixar de mencionar o judeu escondido no porão, pelo qual Liesel desenvolve grande afeição, assim como a esposa do prefeito, Sra. Ilsa Hermann, que oferece sua biblioteca particular como refúgio para a menina. Entre idas e vindas, o livro narra um período de quatro anos da vida de Liesel, e faz com que o leitor se comova com a sua história.

Me identifiquei muito com Liesel em vários momentos da história (e em todos eles havia pelo menos um livro presente), principalmente pelo fato de o autor ter criado uma personagem leitora – e isso é bastante crível ao meu ver – que se encanta pelos livros ainda criança, e que com certeza levará esse amor pelas palavras por toda a vida.

Hans, Rosa, Rudy e Max são personagens que não podem ser deixados de lado. Liesel desenvolve um carinho imenso por Hans, logo quando chega a sua casa, e não sente dificuldade nenhuma para chamá-lo de pai. Ele é aquele tipo de personagem pelo qual é fácil se deixar conquistar. Já com Rosa tive um pouco mais de dificuldade, mas aos poucos fui percebendo que ela também amava muito Liesel, a sua maneira. Rudy é aquele menino chato, que te atormenta só porque gosta de você, mas com quem se cria uma amizade inesperada. O menino é um fofo, está sempre por perto, ajudando Liesel e se preocupando com ela, e claro, sempre pedindo um beijo, ao qual ela veementemente recusa. Max é filho do homem responsável por ter salvado a vida de Hans quando os dois serviam na guerra. Desse modo, após ter prometido ajudar a família em qualquer necessidade, Hans, Rosa e Liesel se vêem abrigando um judeu em sua casa, em plena Segunda Guerra Mundial. O judeu traz um livro consigo, e é isso que desperta a curiosidade de Liesel, e o que dá início a amizade dos dois. Vejo Max como o irmão substituto que a vida mandou a Liesel

Digo que o livro é cheio de idas e vindas literalmente, pois a morte adora ficar indo e voltando no tempo, contando coisas que acontecerão futuramente apenas para manter a curiosidade e a atenção do leitor. “Ouvi” comentários muito sagazes por parte dela, e achei bastante interessante a visão do autor nessa personagem. A morte não identifica seus próprios sentimentos: ela os descreve através de cores. E foi principalmente por causa desse fato que li o livro inteiro imaginando que a morte fosse uma mulher, ou ao menos possuísse características mais femininas do que masculinas, mas me enganei ao chegar ao fim: o xingamento usado é a versão masculina (Saukerl, e não Saumensch, que seria o equivalente feminino).

Falando do final… Não tenho outra palavra senão comovente. Markus Zusak concluiu sua história lindamente, apesar de triste, e me arrancou muitas lágrimas e alguns momentos de depressão-pós-fim-de-livro, apenas absorvendo tudo o que havia acabado de ler.

Mesmo o tema do livro sendo pesado (nazismo, crianças e o sofrimento das pessoas comuns, como não será?), a leitura simplesmente flui. Talvez pelas frases curtas, pela escrita poética, ou pelos personagens adoráveis (e até mesmo a morte se encaixa aqui), mas consegui me envolver com a história do começo ao fim, e esse é um ponto muito importante para mim.

DSC_0055“(…) Livros por toda parte! Cada parede era provida de estantes apinhadas, mas imaculadas. Mal se conseguia ver a tinta. havia toda sorte de estilos e letras diferentes nas lombadas dos livros, pretos, vermelhos, cinzentos, de toda cor. Era uma das coisas mais lindas que Liesel Meminger já tinha visto. (…)”

A Menina que Roubava Livros foi uma história que me bombardeou com sentimentos, me deixou confusa, e ao mesmo tempo me fascinou. Leitura mais que recomendada.

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